quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cinematecando

Antes de virar uenebista, era fã incondicional de cinema. Brasília, ócio e véspera de oscar (já sairam os indicados) fez com que eu me entretesse bastante (e gastasse boa parte do meu dinheiro) em cinemas. Assisti a 6 filmes, todos recomendáveis, talvez porque hoje em dia eu esteja uma pessoa bem mais morna para criticar obras artísticas. Foram esses:

"Eu sou a lenda"
É um filme que eu só assistiria porque queria a companhia do meu querido irmão de 15 anos, que gosta de filmes pipocas e descartáveis. Sabendo que era realmente isso o que eu poderia esperar, um filme pipoca, fiquei bastante surpreso (para melhor) com o que assisti. O tempo se dilatou, não conseguindo perceber que havia assistido a um filme de 2 horas. Assustei-me, pulei da cadeira, gostei. Porém os monstros (sim, o filme tem zumbis) são plásticos, de magia e luz. Não dá para ter medo nem dá para crer que aquilo seria minha aparência caso fosse atingido por um virus. Uns buraquinhos no roteiro, mas no geral, bom.

"Michael Clayton - Conduta de risco"
Um bom filme de ética judiciária. Assisti sem saber o que esperar, muito mais pelo fato de que estava no cinema a espera do meu pai chegar e com uma janela de tempo de 2h30. Conta a história de um advogado de um grande escritório que enlouquece (surta, chegando a ficar pelado no tribunal) diante de uma sessão de julgamento na qual defendia uma corporação de produtos agrícolas tóxicos. Então é chamado o mocinho do filme (o Michael Clayton), que tem função no escritório de reparar as bobagens desse advogado. Enquanto isso, a diretora da corporação tenta reaver os possíveis danos causados, ficando com medo que "o segredo" (sim, os produtos são tóxicos e toda a corporação sabia disso) fosse revelado pelo advogado biruta e fazendo coisas pelo "bem maior".
O filme demora a engatar, com um tempo bem recortado (vai e volta e vem), mas é primoroso nos 30 minutos finais, quando tudo se encaixa. A sensação ao final é de certo conforto porque fica mais fácil de entender o filme, porém todos aqueles momentos em que nada faz muito sentido, momentos tais que você é incapaz de saber quais são as coisas que devemos direcionar a atenção, faz com que o filme às vezes fique chato.
Uma atuação sensacional, que eu fiquei de boca aberta mesmo, é da atriz que faz a diretora da corporação. Fiquei realmente encantado com a angústia que tinha em cair da corporação por não saber o que fazer de maneira lícita. Fui pesquisar na internet, descobri o nome dela (Tilda Swinton) e ela estava sendo indicada a vários prêmios, e eu tinha certeza de que seria indicada ao oscar. Papéis conhecidos são a mãe de "Até o fim" e a feiticeira de "As cronicas de Nárnia".

"A vida dos outros"
Filme alemão que está em cartaz a eras na Academia de tênis. Bem feito, bem acabado, mais ou menos escrito. Conta um pouco a história de um casal de intelectuais (um escritor e uma atriz) que estão sendo investigados pela polícia da Alemanha oriental para saber se eles eram contra o regime comunista. A história centra-se na relação meio estranha criada pelo investigador e esse casal, pois aquele acaba criando afetividade e negligenciando alguns fatos. O filme é um golpe bem forte para os que gostam da idéia do estado social de burocratas ou a censura.
Desgostei do filme em alguns aspectos. É longo, realizando subtramas para que possibilitasse uma revolta desse casal contra o regime (em princípio eles não são contra a burocracia), e foi incapaz de me convencer quanto a súbita piedade surgida pelo investigador, mostrando um cara maldoso no início do filme que depois se desmancha para ajudar seu objeto de investigação.

"Desejo e reparação"
Entrei no cinema pensando "merda! que estou fazendo aqui?". Odiei alguns filmecos de autores clássicos como E. M. Forster "Retorno a Howard's End" e Jane Austen "Razão e sensibilidade", filmes de costumes da Inglaterra vitoriana. "Desejo e reparação" era mais um filme com essa cara, em que as mocinhas se preocupam por quem vão se casar, amores proibidos e relações de poder. Preconceito, pois não esse tipo de gênero de filme que odeio, eu que nao tinha idade para gostar deles.
Mas fiquei muito surpreso. O filme prende sua atenção facilmente, com os draminhas da garotinha aspirante a escritora, que vê a irmã "chamegando" com o filho da governanta. É muito bem escrito todo esse primeiro momento do filme.
Porém quando começa a reparação, o filme torna-se óbvio e perde toda a sua inovação (que eu nao sei qual é). Mas vale a pena, é uma história de romance sensacional e eu saí com um entalo na garganta. Belíssimo, com uma trilha sonora (que eu baixei, inclusive) maravilhosa.

Agora tenho de sair do pc. Depois eu faço aqui meu momento Rubens Ewald Filho.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

For thousand years or more

Ontem foi a formatura de graduação de Direito da Universidade de Brasília, na qual a turma Liga da justiça se formou. Num misto de orgulho, pois conhecia muitas formandos (as) que tenho algum afeto, e tristeza (?), fui prestigia-los. Senti vontade de estar lá.
Sensaçao: Não gosto do título de bacharel, desse nome “bacharel em direito”. Bacharel todo mundo é: Bacharel em relações internacionais, bacharel em biologia, bacharel em desenho industrial. “Somos uma turma de bacharéis em direito”. Sim, mas quem não é? Eu escutaria em outras formaturas: Somos físicos, sociólogos, economistas.
Assim Direito também tem de ter um nome. Justiceiros? Não, porque justiça é virtude, não é destaque de uma graduação de Direito, pois não é nisso que adquirimos caráter. Letistas (derivado de leis)? Não, jamais. Seria o mesmo que dizer que o curso de Direito tem a lei como principal objeto de estudo, remetendo-se às noções napoleônicas. Se direito fosse lei, haveria direito em sociedades sem escrita?
Jurista, vindo do jurídico, não do judiciário. Gosto desse título, essa é a formação que desejo. Jurista, muito mais do que tecnólogo da legalidade.
Porém eu observo o currículo do curso de direito da universidade de Brasília e compreendo que minha formação nos próximos 9 (8?) semestres serão para uma formação tecnológica. Doutrina mastigada em conjunto ao vade mecum, na leitura de artigos e incisos e parágrafos únicos. Hum, que gostoso!
Ao Thiago Maciel, meus grandes parabéns por ser o jurista que você será. Espero de você grandes realizações e feitos.
Ao Diego Nardi, sinto-me fraco para manter discussões monologais. Espero pela sua volta.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

2008: promessas de paraíso

Mais um ano surge, o ciclo recomeça, talvez seja momento de repensar, de refletir, de metas a alcançar, SS a tirar.



Minhas 10 metas:



1. Saúde: Vou cuidar do meu tímpano perfurado, fazer exames de rotina (pele, taxas, pressão, vista...)

2. Estudos: Dar maior preocupação ao curso, pensar que é isso mesmo o que eu devo esperar, não ter maiores expectativas.

3. Trabalhar: Ganhar dinheiro e melhorar a minha vontade de estudar. Parece que o curso de graduação só terá dignidade quando eu conseguir dar finalidade a ele, e trabalho eh uma das finalidades do curso de graduação, ou não?.

4. Reanimar a UVE: Projetinho de extensão do coração, identidade xandelística.

5. as metas acabaram. se fossem 10, pensando bem, eu nem perceberia. então fica apenas as 4.

E respeite-se as metas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

cores de roupas...

o misticismo sobe a minha mente e mudei de idéia quanto a roupa que usaria no ano: Deixei o vermelho do amor (sexo? paixão?) pelo azul (tranquilidade) floral da roupa costurada por minha avó. Talvez a ocasião também tenha mudado a vestimenta, afinal de contas, porque usar bermudão de tecido denso numa praia, enquanto a bermuda de tecido sintético é capaz de ventilar. Por que não usar camisas com motivos florais, muito mais do que um california dream?
Sim, preferi azul ao vermelho. Talvez meus aspectos mágicos sejam motivadores de minha ação. Não, não digo que serei levado pela casualística, que será o que motivou minhas ações nos próximos 12 meses. Trata-se de um marco, de um sentido de prestação para com o futuro. Se vestirei azul, buscarei metas de tranquilidade.... é? ... se bem que eu gosto de pensar que não precisarei me esforçar para tal...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Feliz Natal!!!!


Feliz Natal!
Que a nossa racionalização não permita tornar essa festa apenas mais uma festa com troca de presentes, porque parece que cada vez mais o lado comercial se sobrepõe ao religioso, será?
Porém mesmo aqueles que não acreditam tanto em Jesus Cristo, ou Deus ou no espírito santo vejam essa parada do Natal como momento de reflexão e de propagar nossos valores habbermasianos de ser =)

http://www.elfyourself.com/?id=1660864255

Vejam esse link!!!! eh muito engraçado ahahahahahahaa

domingo, 16 de dezembro de 2007

Negócios jurídicos e a minha viagem para Natal

Sim, estou empacado nessa matéria chamada negócio jurídico. Não consigo sair do lugar, porque eu não consegui prestar muita atenção na matéria, não me despertaram interesse por ela. Mas, sim, ela é bem útil, eu adoro (eu acho) direito civil.
Tem bastante lógica, eu soh tenho que saber os vicios e as condições de validade do negócio jurídico hehehe...

No mais, viajo para natal sexta feira!!! E talvez fique distante do blog por um tempo, nao sei. pretendo atualizar por lá. Aproveito para dizer ao nardi que o mesmo faça seu blog de viagens ao fim do mundo aqui também, pois eu pararei com esses troços de antropologia, que eu acho que ela não tá mais afim de ler...


:D

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

One fight or two e os zande

Hoje foi e era a discussão de pai, mãe e filho, depois de uma noite fazendo compras para as festividades natalinas: Por que Deus não existe? Eu respondi: Deus existe se você crer que ele exista. Minha mãe concordou com isso. Meu pai disse: Não, eu não consigo percebê-lo.

Aí ele se propõe a dizer: Religião é uma forma de estabilização social, tem seu aspecto funcional para um bem. A verdade a gente consegue, há aspectos na natureza que são verdadeiros.

Aí eu perguntei para ele: então como morremos? Ele diz: "morremos porque nossas células começam a se embaralhar nas suas codificações genéticas, e as células enfraquecem e o corpo morre. Mas uma coisa é verdade, pois o sexo foi a invenção da natureza para conseguirmos nos manter".

E aê eu gritei: "Mainha! painho é funcionalista e positivista!"
Ela falou: "que pena..."

Meu pai se danou...




"Azande: Alguém me embruxou"
A ciência é uma verdade maior do que as outras, e eu confio nessa premissa. Dou nexos causais a muitas coisas por esse conhecimento científico, minha mãe também. Mas parece que a posição ética tem de dizer que não é errado pensar "misticamente", pois se eles não estão certos, ao menos não estão errados em pensar assim. E da mesma maneira, se houvesse um parâmetro de verdade que constatasse a existência de um Deus superior, seria muito difícil convencer meu pai de dizer "sim, existe um Deus que controla seus movimentos e tudo o que você faz e deixa de fazer".



Eu quero esse posicionamento ético de pluralidade. Eu nao tô certo, nem ele está errado. E dizer que o mundo é uma bruxaria só também é legal, é legítimo e verdadeiro, mesmo que eu nao ache. Se a verdade é una, então lanço uma verdade una: nunca conseguiremos saber o que é verdade (axioma;P).
E aê eu mostro uma etnografia de Evans-Pritchard, bastante interessante :)



Sobre o povo Azande, no Sudão, Evans-Pritchard vai demonstrar que “o conceito de bruxaria fornece a eles uma filosofia natural por meio da qual explicam para si mesmos as relações entre os homens e o infortúnio(...)”[1]. Todos os acontecimentos na vida dos zandes estão influenciados pela bruxaria.
A bruxaria é onipresente (...) é um tópico importante da vida mental, desenhando o horizonte de um vasto panorama de oráculos e magia; sua influência está claramente estampada na lei e na moral, na etiqueta e na religião; ela sobressai na tecnologia e na linguagem. Se uma praga ataca a colheita de amendoim, foi bruxaria; se o mato é batido em vão em busca da caça, foi bruxaria; se uma esposa está mal-humorada e trata seu marido com indiferença, foi bruxaria (...)”[2]

O antropólogo foi tentar explicar sua teoria sobre alguns fatos ocorridos que eram considerados infortúnios de acordo com suas teorias científicas, lógicas para ele, homem europeu do século XX.
“Certa vez um rapaz deu uma topada num pequeno toco de árvores no meio de uma trilha no mato – acontecimento freqüente na África – e veio a sentir dores e desconforto em conseqüência disso. Foi impossível, pela sua localização no artelho, manter o corte limpo, e ele começou a infeccionar. O rapaz declarou que a bruxaria o fizera chutar o toco. Eu sempre discutia com os Azande e criticava suas afirmaçãos, e assim fiz nessa ocasião. Disse ao rapaz que ele batera com o pé no toco porque tinha sido descuidado, e que não fora bruxaria que colocara o toco na trilha, pois ele crescera lá naturalmente. Ele concordou que a bruxaria nada tinha a ver com o toco estar na trilha, mas observou que tinha ficado de olhos abertos para tocos, como realmente todo zande faz, e que, portanto, se não tivesse sido embruxado, te-lo-ia visto. Como argumento definitivo, a seu ver, lembrou que os cortes não levam dias para cicatrizar – ao contrário, fecham logo, pois esta é a natureza dos cortes. Por que então sua ferida infeccionara e continuava aberta, se não havia bruxaria por trás dela? Como não tardei a descobrir, essa pode ser considera a explicação zande básica para as doenças”.[3]
[1] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[2] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[3] EVANS-PRITCHARD (1999, p.51)