Ontem foi a formatura de graduação de Direito da Universidade de Brasília, na qual a turma Liga da justiça se formou. Num misto de orgulho, pois conhecia muitas formandos (as) que tenho algum afeto, e tristeza (?), fui prestigia-los. Senti vontade de estar lá.
Sensaçao: Não gosto do título de bacharel, desse nome “bacharel em direito”. Bacharel todo mundo é: Bacharel em relações internacionais, bacharel em biologia, bacharel em desenho industrial. “Somos uma turma de bacharéis em direito”. Sim, mas quem não é? Eu escutaria em outras formaturas: Somos físicos, sociólogos, economistas.
Assim Direito também tem de ter um nome. Justiceiros? Não, porque justiça é virtude, não é destaque de uma graduação de Direito, pois não é nisso que adquirimos caráter. Letistas (derivado de leis)? Não, jamais. Seria o mesmo que dizer que o curso de Direito tem a lei como principal objeto de estudo, remetendo-se às noções napoleônicas. Se direito fosse lei, haveria direito em sociedades sem escrita?
Jurista, vindo do jurídico, não do judiciário. Gosto desse título, essa é a formação que desejo. Jurista, muito mais do que tecnólogo da legalidade.
Porém eu observo o currículo do curso de direito da universidade de Brasília e compreendo que minha formação nos próximos 9 (8?) semestres serão para uma formação tecnológica. Doutrina mastigada em conjunto ao vade mecum, na leitura de artigos e incisos e parágrafos únicos. Hum, que gostoso!
Ao Thiago Maciel, meus grandes parabéns por ser o jurista que você será. Espero de você grandes realizações e feitos.
Ao Diego Nardi, sinto-me fraco para manter discussões monologais. Espero pela sua volta.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
2008: promessas de paraíso
Mais um ano surge, o ciclo recomeça, talvez seja momento de repensar, de refletir, de metas a alcançar, SS a tirar.
Minhas 10 metas:
1. Saúde: Vou cuidar do meu tímpano perfurado, fazer exames de rotina (pele, taxas, pressão, vista...)
2. Estudos: Dar maior preocupação ao curso, pensar que é isso mesmo o que eu devo esperar, não ter maiores expectativas.
3. Trabalhar: Ganhar dinheiro e melhorar a minha vontade de estudar. Parece que o curso de graduação só terá dignidade quando eu conseguir dar finalidade a ele, e trabalho eh uma das finalidades do curso de graduação, ou não?.
4. Reanimar a UVE: Projetinho de extensão do coração, identidade xandelística.
5. as metas acabaram. se fossem 10, pensando bem, eu nem perceberia. então fica apenas as 4.
E respeite-se as metas.
Minhas 10 metas:
1. Saúde: Vou cuidar do meu tímpano perfurado, fazer exames de rotina (pele, taxas, pressão, vista...)
2. Estudos: Dar maior preocupação ao curso, pensar que é isso mesmo o que eu devo esperar, não ter maiores expectativas.
3. Trabalhar: Ganhar dinheiro e melhorar a minha vontade de estudar. Parece que o curso de graduação só terá dignidade quando eu conseguir dar finalidade a ele, e trabalho eh uma das finalidades do curso de graduação, ou não?.
4. Reanimar a UVE: Projetinho de extensão do coração, identidade xandelística.
5. as metas acabaram. se fossem 10, pensando bem, eu nem perceberia. então fica apenas as 4.
E respeite-se as metas.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
cores de roupas...
o misticismo sobe a minha mente e mudei de idéia quanto a roupa que usaria no ano: Deixei o vermelho do amor (sexo? paixão?) pelo azul (tranquilidade) floral da roupa costurada por minha avó. Talvez a ocasião também tenha mudado a vestimenta, afinal de contas, porque usar bermudão de tecido denso numa praia, enquanto a bermuda de tecido sintético é capaz de ventilar. Por que não usar camisas com motivos florais, muito mais do que um california dream?
Sim, preferi azul ao vermelho. Talvez meus aspectos mágicos sejam motivadores de minha ação. Não, não digo que serei levado pela casualística, que será o que motivou minhas ações nos próximos 12 meses. Trata-se de um marco, de um sentido de prestação para com o futuro. Se vestirei azul, buscarei metas de tranquilidade.... é? ... se bem que eu gosto de pensar que não precisarei me esforçar para tal...
Sim, preferi azul ao vermelho. Talvez meus aspectos mágicos sejam motivadores de minha ação. Não, não digo que serei levado pela casualística, que será o que motivou minhas ações nos próximos 12 meses. Trata-se de um marco, de um sentido de prestação para com o futuro. Se vestirei azul, buscarei metas de tranquilidade.... é? ... se bem que eu gosto de pensar que não precisarei me esforçar para tal...
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Feliz Natal!!!!
Feliz Natal!
Que a nossa racionalização não permita tornar essa festa apenas mais uma festa com troca de presentes, porque parece que cada vez mais o lado comercial se sobrepõe ao religioso, será?
Porém mesmo aqueles que não acreditam tanto em Jesus Cristo, ou Deus ou no espírito santo vejam essa parada do Natal como momento de reflexão e de propagar nossos valores habbermasianos de ser =)
http://www.elfyourself.com/?id=1660864255
Vejam esse link!!!! eh muito engraçado ahahahahahahaa
Que a nossa racionalização não permita tornar essa festa apenas mais uma festa com troca de presentes, porque parece que cada vez mais o lado comercial se sobrepõe ao religioso, será?
Porém mesmo aqueles que não acreditam tanto em Jesus Cristo, ou Deus ou no espírito santo vejam essa parada do Natal como momento de reflexão e de propagar nossos valores habbermasianos de ser =)
http://www.elfyourself.com/?id=1660864255
Vejam esse link!!!! eh muito engraçado ahahahahahahaa
domingo, 16 de dezembro de 2007
Negócios jurídicos e a minha viagem para Natal
Sim, estou empacado nessa matéria chamada negócio jurídico. Não consigo sair do lugar, porque eu não consegui prestar muita atenção na matéria, não me despertaram interesse por ela. Mas, sim, ela é bem útil, eu adoro (eu acho) direito civil.
Tem bastante lógica, eu soh tenho que saber os vicios e as condições de validade do negócio jurídico hehehe...
No mais, viajo para natal sexta feira!!! E talvez fique distante do blog por um tempo, nao sei. pretendo atualizar por lá. Aproveito para dizer ao nardi que o mesmo faça seu blog de viagens ao fim do mundo aqui também, pois eu pararei com esses troços de antropologia, que eu acho que ela não tá mais afim de ler...
:D
Tem bastante lógica, eu soh tenho que saber os vicios e as condições de validade do negócio jurídico hehehe...
No mais, viajo para natal sexta feira!!! E talvez fique distante do blog por um tempo, nao sei. pretendo atualizar por lá. Aproveito para dizer ao nardi que o mesmo faça seu blog de viagens ao fim do mundo aqui também, pois eu pararei com esses troços de antropologia, que eu acho que ela não tá mais afim de ler...
:D
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
One fight or two e os zande
Hoje foi e era a discussão de pai, mãe e filho, depois de uma noite fazendo compras para as festividades natalinas: Por que Deus não existe? Eu respondi: Deus existe se você crer que ele exista. Minha mãe concordou com isso. Meu pai disse: Não, eu não consigo percebê-lo.
Aí ele se propõe a dizer: Religião é uma forma de estabilização social, tem seu aspecto funcional para um bem. A verdade a gente consegue, há aspectos na natureza que são verdadeiros.
Aí eu perguntei para ele: então como morremos? Ele diz: "morremos porque nossas células começam a se embaralhar nas suas codificações genéticas, e as células enfraquecem e o corpo morre. Mas uma coisa é verdade, pois o sexo foi a invenção da natureza para conseguirmos nos manter".
E aê eu gritei: "Mainha! painho é funcionalista e positivista!"
Ela falou: "que pena..."
Meu pai se danou...
"Azande: Alguém me embruxou"
A ciência é uma verdade maior do que as outras, e eu confio nessa premissa. Dou nexos causais a muitas coisas por esse conhecimento científico, minha mãe também. Mas parece que a posição ética tem de dizer que não é errado pensar "misticamente", pois se eles não estão certos, ao menos não estão errados em pensar assim. E da mesma maneira, se houvesse um parâmetro de verdade que constatasse a existência de um Deus superior, seria muito difícil convencer meu pai de dizer "sim, existe um Deus que controla seus movimentos e tudo o que você faz e deixa de fazer".
Eu quero esse posicionamento ético de pluralidade. Eu nao tô certo, nem ele está errado. E dizer que o mundo é uma bruxaria só também é legal, é legítimo e verdadeiro, mesmo que eu nao ache. Se a verdade é una, então lanço uma verdade una: nunca conseguiremos saber o que é verdade (axioma;P).
E aê eu mostro uma etnografia de Evans-Pritchard, bastante interessante :)
Sobre o povo Azande, no Sudão, Evans-Pritchard vai demonstrar que “o conceito de bruxaria fornece a eles uma filosofia natural por meio da qual explicam para si mesmos as relações entre os homens e o infortúnio(...)”[1]. Todos os acontecimentos na vida dos zandes estão influenciados pela bruxaria.
A bruxaria é onipresente (...) é um tópico importante da vida mental, desenhando o horizonte de um vasto panorama de oráculos e magia; sua influência está claramente estampada na lei e na moral, na etiqueta e na religião; ela sobressai na tecnologia e na linguagem. Se uma praga ataca a colheita de amendoim, foi bruxaria; se o mato é batido em vão em busca da caça, foi bruxaria; se uma esposa está mal-humorada e trata seu marido com indiferença, foi bruxaria (...)”[2]
O antropólogo foi tentar explicar sua teoria sobre alguns fatos ocorridos que eram considerados infortúnios de acordo com suas teorias científicas, lógicas para ele, homem europeu do século XX.
“Certa vez um rapaz deu uma topada num pequeno toco de árvores no meio de uma trilha no mato – acontecimento freqüente na África – e veio a sentir dores e desconforto em conseqüência disso. Foi impossível, pela sua localização no artelho, manter o corte limpo, e ele começou a infeccionar. O rapaz declarou que a bruxaria o fizera chutar o toco. Eu sempre discutia com os Azande e criticava suas afirmaçãos, e assim fiz nessa ocasião. Disse ao rapaz que ele batera com o pé no toco porque tinha sido descuidado, e que não fora bruxaria que colocara o toco na trilha, pois ele crescera lá naturalmente. Ele concordou que a bruxaria nada tinha a ver com o toco estar na trilha, mas observou que tinha ficado de olhos abertos para tocos, como realmente todo zande faz, e que, portanto, se não tivesse sido embruxado, te-lo-ia visto. Como argumento definitivo, a seu ver, lembrou que os cortes não levam dias para cicatrizar – ao contrário, fecham logo, pois esta é a natureza dos cortes. Por que então sua ferida infeccionara e continuava aberta, se não havia bruxaria por trás dela? Como não tardei a descobrir, essa pode ser considera a explicação zande básica para as doenças”.[3]
[1] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[2] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[3] EVANS-PRITCHARD (1999, p.51)
Aí ele se propõe a dizer: Religião é uma forma de estabilização social, tem seu aspecto funcional para um bem. A verdade a gente consegue, há aspectos na natureza que são verdadeiros.
Aí eu perguntei para ele: então como morremos? Ele diz: "morremos porque nossas células começam a se embaralhar nas suas codificações genéticas, e as células enfraquecem e o corpo morre. Mas uma coisa é verdade, pois o sexo foi a invenção da natureza para conseguirmos nos manter".
E aê eu gritei: "Mainha! painho é funcionalista e positivista!"
Ela falou: "que pena..."
Meu pai se danou...
A ciência é uma verdade maior do que as outras, e eu confio nessa premissa. Dou nexos causais a muitas coisas por esse conhecimento científico, minha mãe também. Mas parece que a posição ética tem de dizer que não é errado pensar "misticamente", pois se eles não estão certos, ao menos não estão errados em pensar assim. E da mesma maneira, se houvesse um parâmetro de verdade que constatasse a existência de um Deus superior, seria muito difícil convencer meu pai de dizer "sim, existe um Deus que controla seus movimentos e tudo o que você faz e deixa de fazer".
Eu quero esse posicionamento ético de pluralidade. Eu nao tô certo, nem ele está errado. E dizer que o mundo é uma bruxaria só também é legal, é legítimo e verdadeiro, mesmo que eu nao ache. Se a verdade é una, então lanço uma verdade una: nunca conseguiremos saber o que é verdade (axioma;P).
E aê eu mostro uma etnografia de Evans-Pritchard, bastante interessante :)
Sobre o povo Azande, no Sudão, Evans-Pritchard vai demonstrar que “o conceito de bruxaria fornece a eles uma filosofia natural por meio da qual explicam para si mesmos as relações entre os homens e o infortúnio(...)”[1]. Todos os acontecimentos na vida dos zandes estão influenciados pela bruxaria.
A bruxaria é onipresente (...) é um tópico importante da vida mental, desenhando o horizonte de um vasto panorama de oráculos e magia; sua influência está claramente estampada na lei e na moral, na etiqueta e na religião; ela sobressai na tecnologia e na linguagem. Se uma praga ataca a colheita de amendoim, foi bruxaria; se o mato é batido em vão em busca da caça, foi bruxaria; se uma esposa está mal-humorada e trata seu marido com indiferença, foi bruxaria (...)”[2]
O antropólogo foi tentar explicar sua teoria sobre alguns fatos ocorridos que eram considerados infortúnios de acordo com suas teorias científicas, lógicas para ele, homem europeu do século XX.
“Certa vez um rapaz deu uma topada num pequeno toco de árvores no meio de uma trilha no mato – acontecimento freqüente na África – e veio a sentir dores e desconforto em conseqüência disso. Foi impossível, pela sua localização no artelho, manter o corte limpo, e ele começou a infeccionar. O rapaz declarou que a bruxaria o fizera chutar o toco. Eu sempre discutia com os Azande e criticava suas afirmaçãos, e assim fiz nessa ocasião. Disse ao rapaz que ele batera com o pé no toco porque tinha sido descuidado, e que não fora bruxaria que colocara o toco na trilha, pois ele crescera lá naturalmente. Ele concordou que a bruxaria nada tinha a ver com o toco estar na trilha, mas observou que tinha ficado de olhos abertos para tocos, como realmente todo zande faz, e que, portanto, se não tivesse sido embruxado, te-lo-ia visto. Como argumento definitivo, a seu ver, lembrou que os cortes não levam dias para cicatrizar – ao contrário, fecham logo, pois esta é a natureza dos cortes. Por que então sua ferida infeccionara e continuava aberta, se não havia bruxaria por trás dela? Como não tardei a descobrir, essa pode ser considera a explicação zande básica para as doenças”.[3]
[1] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[2] EVANS-PRITCHARD (1999, p.49)
[3] EVANS-PRITCHARD (1999, p.51)
sábado, 8 de dezembro de 2007
Um estudante de Direito...
O de hoje...e o de antes.
No meu primeiro semestre, fui dar uma pequena olhada na grade curricular do curso, prestando atenção no que eu iria estudar nos próximos anos. Achava estranho essa disciplina: por que estudamos uma disciplina chamada "direito constitucional"? Eu não sabia que a nossa constituição era o nosso principal documento legislativo. Realmente não me fazia sentido estudá-lo, pois, afinal de contas, é só um pequeno documento, que pouco servirá nos tribunais. O que se trabalha em tribunais? Questões de família, sucessões, assassinatos, crimes em geral, relações comerciais. Direito para mi se restringia a penal e privado. Nada mais.
Então eu fui deduzir o que era constitucional: Olha como eu sou louco, ou ignorante: Constitucional deve ser uma matéria que tem somente em Brasília, por estar bem próxima ao congresso nacional e por isso para produzir textos legislativos.
Cai no curso de direito da UnB de para-quedas, sem nem mesmo saber o porquê de fazer esse curso. A única coisa que eu sabia era que eu queria prática, o que no direito pode ser bem sucedido, e algo social. Hoje gosto muito do aspecto social do direito, a prática as vezes me dá um enjôo, sinto-me com vontade de vomitar todas aquelas classificações vazias de conteúdo, simplesmente utilizadas para dar uma sistematicidade às peças processuais. Talvez por estudar umas matérias bem mais gerais, como introducao a sociologia e a ciencia politica, hoje em dia acho que estaria fadado a cada vez menos gostar do meu curso.
Penso, no entanto, nas palavras de Paulo Freire nesse momento. Esse, ao falar que deve-se, ao alfabetizar um pedreiro, ensinar as palavra como "tijolo" e "cimento", o mesmo deve ser pensado para mim, estudante de direito desfamiliarizado com as questões profissionalizantes do direito. Processo, escopo jurisdicional e lide são coisas que eu nunca utilizei como vocabulário, não me faz sentido entender a organização jurisdicional do brasil se eu nunca fui de utilizá-la.
Ao chegar ao 4º semestre, parece essencial um estágio, porque pensar o direito como componente curricular só fará sentido se você estiver sempre em litígio. O que me fez gostar de Teoria geral do direito privado esse semestre foi eu ter administrado uma pessoa jurídica por um semestre e realizado um contrato de imóvel, o mesmo que ocorreu com as minhas tentativas de democratizar a administração foi eu ter gostado de teoria geral do direito publico. Processo? nao... foi um saco! Eu nunca mexi com um processo, do que adianta saber o que um juiz faz? Sou a pessoa mais inerte do mundo e todas as minhas soluções de conflito (algo que só assim faz sentido estudar processo) são realizadas num ambiente familiar. Processo é chatin...
Acho que é por isso que eu tenho uma necessidade imensa de estagiar: Para dar valor ao que estou estudando... E aí sim eu vou gostar do curso de direito, porque eu ainda tenho de aprender a gostar dele.
E o que é direito constitucional hoje?
Eu não sei também, mas é a carta normativa principal do Direito estatal Brasileiro, pensando que é nela a garantia dos direitos fundamentais de todos os brasileiros, e é nela que será deduzida todas as formas de produção de normas para garantir esses direitos fundamentais, assim como a possibilidade de meios para a efetivação de tais direitos. E sim, eh a matéria dogmática mais importante do curso.
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